
Feira de Artesanato traz arte do Vale para a UFMG
Nos estandes, os visitantes encontrarão uma grande diversidade de peças: cerâmicas, trançados de palha, panelas de barro, bordados, bonecas, colchas, etc.
Dentre as novidades, destaca-se a participação de duas etnias indígenas de Araçuaí: a Aranã e a Pataxó-Pankararu. "Essa participação é importante porque dará visibilidade ao trabalho artesanal realizado por eles. Além de reforçar a presença indígena no Campus", afirma a coordenadora do Projeto Artesanato Cooperativo e organizadora da feira, Terezinha Furiati.
Outra novidade é a organização de um espaço especial para artesãos reconhecidos do Vale. Entre os convidados, Ulisses Mendes, da cidade de Itinga, a família de Dona Isabel, de Santana do Araçuaí e Lira Marques, de Araçuaí.

A feira contará ainda com uma programação artística diversificada. Na segunda feira, apresentação do Coral Água Branca de Itinga; na terça, Volber e Gilmar. Na quarta é a vez do grupo Sarandeiros e na sexta, da Banda Terceira Margem, de Montes Claros.
Excepcionalmente na quinta-feira, a programação artística será às 17h30, com homenagem às mestras de ofício Elzi Gonçalves Pereira (de Jequitinhonha) e Geralda Leite Sena (de Francisco Badaró) e show de João di Souza e Chico Lobo. Nos outros dias, as apresentações acontecem às 12h30, com entrada franca.
Mestra Elzi Gonçalves Pereira
Nascida em 20 de março de 1943, dona Zizi é a última paneleira de Guaranilândia, distrito de Jequitinhonha. A produção das panelas, potes, moringas, gamelas começou ainda criança e é feita com ferramentas simples: um pilão, um pedaço de couro, algumas pedras e uma faquinha. Uma confecção completamente artesanal, que exige dedicação, observação e muita habilidade.
Nestes vários anos, a mestra já teve vários aprendizes. Hoje, com o advento das panelas de alumínio, as panelas de barro perderam seu espaço. No entanto, a mestra não desanima e continua ensinando o ofício, agora para os netos.
Mestra Geralda Leite Sena
Nascida em 1927, em Francisco Badaró, dona Geralda iniciou-se no ofício ainda menina, por influência da mãe fiandeira. Dedicou toda a sua vida ao algodão, sem nunca ter desviado do ofício ou desistido de fiar e tecer. Seu saber foi repassado e compartilhado com seus filhos, amigos e vizinhos.
Hoje, quase aos 84 anos, ela ainda fia. Pouco, pois a saúde a impede de trabalhar como antes. Mas a comunidade é unânime em dizer que ?fios iguais os de Dona Geralda não tem, são fios muito finos?, próprios para roupas. Tecidos a partir de uma técnica desenvolvida e aperfeiçoada durante toda a vida, com muita paciência e mãos firmes.
Sobre a Feira
Desde 2000, a Universidade Federal de Minas Gerais tem dado espaço para que dezenas de artesãos do Vale comercializem suas peças na capital e divulguem a cultura da região, por meio da Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha.Ao longo dos anos, a feira passou por inúmeras transformações e desde 2009, é organizada pelo projeto Artesanato Cooperativo, que integra o Programa Polo.
Além da organização do evento, o projeto é voltado para o incentivo da produção artesanal do Vale e para o fortalecimento do associativismo na região. O sucesso da feira é tanto, que só no ano passado, o lucro para os artesãos ultrapassou 100 mil reais.
Fonte: UFMG
Atelier Myrian Melo em novo endereço
Importância cultural e econômica do bordado é tema do Panorama

Foram convidadas para falar sobre o assunto a pesquisadora da História do Bordado, Maria do Carmo Guimarães Pereira, e a artesã da Central Mãos de Minas, Marilene Alair. As duas participantes defenderam mais incentivos à formação de mão de obra e de cursos profissionalizantes para não deixar que esse ofício se perca com o tempo.
"A geração de hoje está muito técnica, informatizada, não tem tempo para ficar ali, ponto a ponto, esperando nascer um bordado. A ideia de uma escola para ensinar essa técnica é muito boa para formar novos talentos e para não deixar perder essa tradição", explica Marilene. Já Maria do Carmo lembrou que o bordado é um ofício que, no passado, era executado pelos homens e que as mulheres os ajudavam, mas pouco apareciam.
Com profundos conhecimentos da história do bordado, Maria do Carmo destacou ainda a importância artística da atividade. "O bordado é a única das artes que é permitido ver o avesso dela. O capricho de uma bordadeira e a qualidade do trabalho são conferidos pelo avesso."
Fonte: ALMG